Prédio em Pinheiros causa polêmica

Prédio em Pinheiros causa polêmica
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Embora vizinha da movimentada Avenida Brigadeiro Faria Lima, a Rua Coronel Irlandino Sandoval, em guia de Pinheiros, zona oeste de SP, até hoje conseguiu manter casas térreas e um clima de tranquilidade. Mas isso pode mudar. Os moradores estão preocupados com um espigão que será construído na rua: um prédio de 27 andares que trará 134 vagas de estacionamento, o que deve complicar o trânsito pacato da via.

A preocupação se deve ao fato de que a rua não tem saída (ou entrada) direta para a Faria Lima. Assim, os novos moradores do empreendimento terão de cruzar a Irlandino para chegar ao prédio, o que, segundo os vizinhos, trará mais trânsito à região. Para complicar mais, a via estreita é de mão única, e o edifício fica no final da rua.

O empreendimento, da incorporadora Yuny, é de alto padrão: 30 apartamentos, com metragem mínima de 162 m² e máxima de 548 m² (cobertura). A construção usa 7.500 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) – licença emitida pela Prefeitura para construção acima do permitido no limite de zoneamento, emitida para arrecadar fundos para a Operação Urbana Faria Lima.





O empreendimento não é classificado como “polo gerador de tráfego”, por ter menos vagas de estacionamento do que o necessário (seria preciso 500), e, por isso, a Prefeitura não exigiu que a incorporadora realizasse nenhuma obra para atenuar os impactos no trânsito, a exemplo do que ocorre em grandes empreendimentos da cidade, como shoppings ou condomínios de várias torres.

A movimentação dos moradores fez com que a Associação dos Moradores dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano (Ame Jardins) se envolvesse na resistência contra o prédio. A entidade está analisando que medidas podem ser tomadas para barrar a obra (ou mitigar os impactos na região) e, por isso, preferiu se pronunciar por nota: “A entidade promoveu ao longo do ano uma série de encontros dos moradores com advogados, arquitetos e urbanistas, visando a orientá-los”, diz o texto.

Já a incorporadora Yuny diz que está de portas abertas para receber moradores preocupados com o empreendimento – mas que ainda não foi procurada por ninguém. O diretor de incorporação da Yuny, Fábio Romano, diz que as características do projeto – uso residencial e poucas unidades – servirão para tornar a área ainda mais valorizada. “Com um projeto de alto padrão desse, você valoriza o bairro, a rua, toda a região. Essa coisa do impacto do trânsito, um projeto de alto padrão, com poucas unidades, e que é residencial, não traz impacto nenhum.”

“Nosso projeto é icônico, um projeto maravilhoso, com uma série de características de arquitetura que vão virar um marco de beleza na cidade. Às vezes, fica uma nuvem negra, as pessoas não sabem o que a gente está fazendo”, argumenta Romano.

A Prefeitura diz, em nota, que não há nenhuma irregularidade na construção do prédio.

Fonte – O Estado de S. Paulo





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